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Nº Páginas: 216
Sinopse:
Há pessoas que rezam baixando os olhos, escondendo nas mãos o rosto, voltando-se para dentro. Há outras, porém, que abrem esforçadamente os olhos ao rezar, numa tentativa de observar a vida no seu espanto. Quer umas, quer outras - estão certas. Todas as formas de rezar são insuficientes, mas todas são eficazes. A arte de rezar é a arte de ser, apenas isso, porque o que conta verdadeiramente não depende das palavras. Esta obra foi pensada não como um livro sobre a oração, mas como um caderno de práticas da oração, reunindo um conjunto de textos que José Tolentino Mendonça foi escrevendo ao longo do tempo, muitos deles no contexto da atividade pastoral, para serem utilizadas por comunidades ou, simplesmente, para serem lidas e escutadas em silêncio. De olhos abertos, enfrentando a solidão e a tempestade. "Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. Para quem quiser ver, a vida está cheia de nascimentos. Nascemos muitas vezes ao longo da infância, quando os olhos se abrem em espanto e alegria. Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca. Nascemos na sementeira da vida adulta, entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flor e dentro da flor o perfume do fruto. Nascemos muitas vezes naquela idade avançada onde os trabalhos não cessam, mas se reconciliam com laços interiores e caminhos adiados. Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar. Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de certas lágrimas. Nascemos na prece e no dom. Nascemos no perdão e no confronto. Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra. Nascemos na tarefa e na partilha. Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos. Nascemos dentro de nós e no coração de Deus."
Edição: Mar 2026
Nº Páginas: 408
Sinopse: Um dos maiores clássicos da literatura. A invenção do romance europeu um dos mais influentes e citados livros de ficção de sempre. Alegoria, fábula sobre a sobrevivência, invenção pura, narrativa de aventuras, autobiografia, crónica de pirataria, tratado de geografia imaginária, manual de economia, Robinson Crusoe conta as viagens e faz a crónica da sobrevivência e enriquecimento de um homem do Yorkshire obcecado desde jovem pela ideia de uma vida no mar. Durante duas décadas, Crusoe vive na mais completa solidão, com um agricultor próspero e leitor da Bíblia até descobrir que a sua ilha na foz do Orinoco é usada por canibais para matar e comer prisioneiros, entre os quais um que ele batiza como Sexta-Feira e que se tornará seu criado. Mais tarde regressará a Inglaterra, onde todos o julgavam morto. No final, terá de ir a Lisboa a fim de reaver a sua fortuna e viver uma última aventura. Este livro, um dos fundadores do romance europeu, juntamente com Lazarillo de Tormes ou D. Quixote, inspirou quase todos os tipos imagináveis de imitação e variação, e foi tema de peças de teatro, óperas, banda desenhada e jogos de computador. A personagem de Crusoe entrou para o imaginário de cada geração subsequente, à medida que os leitores acrescentam as suas próprias interpretações às aventuras tão emocionantes «registadas» por Defoe. Elogiado por figuras eminentes como Coleridge, Rousseau e Wordsworth, foi inclusivamente citado por Karl Marx em O Capital para ilustrar a sua crítica da teoria económica. No entanto, foram os leitores de todas as idades, ao longo dos últimos 300 anos, que concederam a Robinson Crusoe o seu lugar definitivo como um clássico da literatura europeia.
Nº Páginas: 160
Sinopse:
Além dos clássicos italianos primaciais (Dante, Petrarca) e dos dramaturgos franceses do século xvii (Racine, Corneille e Molière), Vasco Graça Moura também se dedicou à tradução de poetas europeus do século xx, como Rainer Maria Rilke ou Federico García Lorca. A presente tradução, que agora se publica em versão bilingue, apresenta duas vertentes da obra poética de Lorca, que se materializam em dois livros: Romanceiro Cigano, de sabor mais popular, em que se cantam o amor, a morte, o dia, a noite e a paisagem, e em que o efeito quase surrealista tem que ver com o recurso a várias tradições líricas; e Pranto por Ignacio Sánchez Mejías, poema fúnebre em memória de um toureiro célebre, com uma composição mais elaborada (em que surge, por exemplo, o decassílabo) e que Vasco Graça Moura elege como um dos grandes poemas trágicos do século xx: "Põe em presença o homem, as suas capacidades de razão, de sensibilidade e de coragem, a enfrentar a fúria bruta da irracionalidade numa coreografia da morte e do destino em quatro andamentos de extraordinária musicalidade."
Edição: Mai 2026
Nº Páginas: 528
Sinopse: Em 2026 assinalam-se os 800 anos da morte de São Francisco, um dos santos mais populares da Igreja Católica. Este livro é a sua mais completa biografia Com o rigor de um historiador e o talento de um contador de histórias, Barbero revela a complexa, multifacetada e, por vezes, contraditória história de Francisco, o santo que todos julgamos conhecer. As primeiras biografias de Francisco foram escritas por frades que o conheceram de perto. Poderíamos acreditar tratar-se de biografias fiáveis. Mas não é bem assim: autores e leitores não gostavam de recordar que Francisco era um homem cheio de dificuldades e contradições, que tinha experimentado desilusões e derrotas; queriam um santo perfeito em todos os sentidos, livre de dúvidas e amargura e, em última análise, semelhante a Cristo. Esta necessidade de um santo acima de todas as suspeitas levou a que 40 anos após a sua morte, a Ordem Franciscana mandasse destruir todas as biografias existentes e substituí-las por uma «definitiva», a Legenda Maior, escrita por S. Boaventura. Os livros sobre a vida do santo foram retirados das bibliotecas e dados como desaparecidos. Só séculos mais tarde começaram a ressurgir do esquecimento graças a descobertas fortuitas, revelando um Francisco muito diferente, não o santo sempre alegre que falava com os pássaros, retratado nos frescos de Giotto em Assis, o santo que domesticava lobos, o precursor do ambientalismo moderno, que conversava amigavelmente com os muçulmanos, o precursor do pacifismo e do ecumenismo. O Francisco que emerge das suas memórias é um homem atormentado e austero, capaz tanto de gestos gentis como de uma inesperada aspereza. Mas, acima de tudo, não contam a história de apenas um Francisco, porque cada um se lembrava dele à sua maneira. Quem foi realmente este homem extraordinário? Este é o livro que fala desse homem desconhecido.
Nº Páginas: 320
Sinopse:
Willie Chandran é um homem de identidade incerta que, aos quarenta anos, tem atrás de si uma vida de peregrino: saiu da Índia, onde nasceu, viveu em Londres, Berlim e num país africano de língua portuguesa, provavelmente Moçambique. A meio da vida, instigado pela irmã - e em consequência da sua própria lassitude -, regressa à Índia e resolve juntar-se a um grupo revolucionário clandestino. Mas mais uma vez, como acontecera no passado, Chandran sente-se fora da sua própria história. Quando volta ao Reino Unido, onde a sua demanda começara trinta anos antes, encontra um país que virou costas ao seu passado e que, como ele, está deslocado da sua própria história. Porém, num momento de grotesca revelação, chega ao entendimento daquilo que poderá, finalmente, libertar o seu verdadeiro eu.
Nº Páginas: 280
Sinopse:
Setembro Negro narra o florescimento de um rapaz de 12 anos, Gigio Bellandi, durante o verão de 1972: a descoberta da música, da leitura, da inquietação, do desejo, do amor ¿ e depois, a interrupção impensável e fulminante de tudo isso. Reconstrói com precisão vívida as imagens, os cheiros, as cores e os sons que animavam aquela vida que se perdeu e, ao contrário, por ter sido sofrido sem muitas explicações, o evento irreversível que a destrói. Em redor de Gigio, misturam-se vítimas e culpados, formando uma constelação de personagens comoventes e inesquecíveis: o pai-tritão, a mãe-leoa, a irmãzinha heroica e os dois principais responsáveis pelo seu súbito florescer: o tio Giotti, misterioso, extremamente tímido e puríssimo mestre da força, e Astel Raimondi, a menina das tranças «negras como ônix negro», que chega a tempo de marcá-lo com o selo indelével do amor. A voz narrativa é a do próprio Gigio, do alto dos seus 60 anos, pois evidentemente ele conseguiu cicatrizar a ferida e seguir em frente, tornando-se assim o último dos «heróis normais», tão caros a Veronesi. Setembro Negro é também um livro sobre o poder redentor da palavra.
Nº Páginas: 304
Sinopse:
Muito na linha de Cisnes Selvagens, de Jung Chang, mas tendo como objeto a China das novas gerações, este é um relato não ficcional e na primeira pessoa, com digressões para o passado (político e familiar) e a observação das múltiplas vertentes sociais e culturais da história moderna da China, em constante mudança. Karoline Kan está na vanguarda dessa mudança: nasceu em 1989, como segunda filha - ainda durante a vigência da Política do Filho Único - numa China rural. Chegou ao ensino superior e conquistou a autonomia económica sem ter de se casar e fazendo o trabalho que escolheu: escrever para revistas e jornais de prestígio internacional. As grandes referências de Karoline Kan são Jung Chang, Xinran e Xiaolu Guo - todas elas autoras publicadas pela Quetzal.
Nº Páginas: 360
Sinopse:
Fran pode ser velha, mas não vai desistir sem luta. Por isso, pinta o cabelo, saboreia cada copo de vinho e percorre incansavelmente as estradas do país. Embora trabalhe com uma ONG, vão longe os seus dias do que se chama "vida ativa" - aqueles em que criava os filhos, em que tentava aprender a cozinhar e a lidar com um marido muito ocupado e bastante ausente. Agora, aproveita os momentos de solidão e liberdade como pequenas ilhas de uma felicidade quase perfeita. À sua volta, porém, o mundo prossegue o curso de vida e morte, e não falta variedade às maneiras como as pessoas (o seu grupo de amigos e conhecidos) se entregam ao destino final.Com ecos de Simone de Beauvoir e Samuel Beckett, este romance é uma meditação sobre a morte, e uma interpelação sardónica e comovente do que torna uma vida boa - e a morte também.
Edição: Mar 2024
Nº Páginas: 192
Sinopse: sobre as mulheres é uma amostra substancial da escrita de susan sontag em torno da questão da mulher. ao longo dos sete ensaios e entrevistas(e de uma troca pública de argumentos), são abordados relevantes temas, como os desafios e a humilhacão que as mulheres enfrentam à medida que envelhecem, a relacão entre a luta pela libertacão das mulheres e a luta de classes, a beleza, o feminismo, o fascismo, o cinema. ao fim de cinquenta anos ¿ datam dos primeiros anos da década de 1970 ¿, estes textos não envelheceram nem perderam pertinência. e, no seu conjunto, revelam a curiosidade incansável, a precisão histórica, a solidez política e o repúdio por categorizacões fáceis ¿ em suma, a inimitável inteligência de sontag em pleno exercício. «é um deleite observar a agilidade da mente seccionando através da flacidez do pensamento preguicoso.» the washington post «uma nova compilacão de primeiros textos de sontag sobre género, sexualidade e feminismo.» kirkus reviews
Nº Páginas: 344
Sinopse:
Os cento e cinquenta e quatro (154) sonetos de William Shakespeare na sua versão integral traduzidos pelo poeta, ensaísta e grande tradutor dos clássicos Vasco Graça Moura. "Nos Sonetos, o tempo trai a beleza e as pompas, a velhice trai a juventude, o amigo trai o amigo, o homem trai a mulher, a mulher trai o homem, a tristeza e o desânimo traem a alegria, a decadência trai a pujança, a escassez trai a abundância, os sentimentos são traídos... Todas essas situações de falha e de carência são regeneradas pelo estro poético, erguido contra tudo e contra todos, contra o Tempo, contra a sociedade, contra o próprio eu que anima estes poemas nos vários subciclos que integram a série. "toda a panóplia maneirista se encontra presente, nos adereços, como o espelho, o relógio, o instrumento musical, no sentimento da voracidade do Tempo e na sensação de efemeridade e decadência de tudo, na melancolia humoral, na falta angustiada vivida pela ausência ou distância do ser amado, na presença da morte a recortar-se, nas alusões à doença e à sepultura, no dilaceramento de raiz misógina que não impede uma relação erótica fortíssima com a Dark Lady, na dialéctica entre verdadeiro e falso, fidelidade e perjúrio, beleza e fealdade, nas próprias variações e transições temáticas de uns sonetos para os outros. Esses tópicos combinam-se com uma textura muito rica do real, pelas comparações e metáforas, pelas notações concretas, pelo surpreender de um gesto, de um movimento, de uma atitude, e recorrem a um vocabulário ligado constantemente a experiência da vida, seja ele de matriz legal, contratual, económica, militar, arquitectónica, marítima, astronómica, mitológica, doméstica, artesanal, palaciana, etc., etc.?
Nº Páginas: 280
Sinopse:
Inédito até agora em Portugal, Sucesso é o terceiro romance de Martin Amis, publicado pela primeira vez em 1978. Gregory Riding e Terry Service são irmãos (adotivos) e partilham um apartamento na cidade. Gregory é aristocrático e arrogante, bonito e sexualmente hiperativo. Terry vem de baixo, das periferias pobres, tem um aspeto banal e sofre de baixa autoestima. Ambos detestam mulheres, tanto quanto se detestam um ao outro e a si próprios. Além da misoginia ligam-nos os laços de ódio de classe, e rivalidade sexual. Uma dupla memória, como um espelho falso. Com Londres dos anos 1970 sempre em pano de fundo.
Nº Páginas: 544
Sinopse:
Em viagens durante as quatro estações, serpenteando estradas rurais, Paul Theroux atravessa o Sul Profundo da América para revelar a verdade por detrás dos mitos, das ficções e das mentiras. Visita feiras de armas e igrejas de pequenas cidades, trabalhadores no Arkansas e partes do Mississippi - onde ainda chamam às quintas "plantações". Fala com autarcas e assistentes sociais, escritores e reverendos, com trabalhadores pobres e famílias de agricultores: os heróis do Sul que ninguém canta, os que nunca saíram de lá e os que voltaram a casa, para construir um lugar fora do qual nunca conseguiriam viver.
Edição: Jan 2026
Nº Páginas: 160
Sinopse: Um longo diálogo sobre muitos dos temas sobre os quais escreveu: o corpo e a espiritualidade, rock e feminismo, amor e sexualidade, os lugares e a vida de escritora. Publicada agora na íntegra, esta entrevista (de que apenas um terço tinha aparecido na revista Rolling Stone) foi gravada ao longo de vários meses e em duas cidades, Paris e Nova Iorque. Sontag gostava de ser entrevistada porque gostava de conversar. Era do diálogo e da energia da conversa, segundo ela, que nasciam muitas das suas ideias e o seu pensamento. Às questões colocadas por um interlocutor tão perspicaz e conhecedor da sua obra como Jonathan Cott, Susan Sontag não responde em frases, mas em parágrafos calibrados que se expandem e em que o mais impressionante são a exatidão e a afinação moral e linguística com que ela enquadra e elabora as suas ideias. «Um ótima fonte para conhecedores da ensaísta e romancista, bem como para quem só agora conhece Sontag.» Publishers Weekly «Uma entrevista humanizadora com Sontag, geralmente vista como um intelecto ferozmente agressivo e polarizador.» Kirkus Reviews «Para a brilhante ensaísta que Sontag foi, falar com brilhantismo constituía uma parte importante do seu trabalho.» Slate
Nº Páginas: 312
Sinopse:
Ao dobrar os sessenta anos, J. Rentes de Carvalho decidiu começar a escrever um diário. O espaço físico é o de sempre: Portugal, Holanda, Trás-os-Montes, Amsterdão — e aquele destino que ocupou grande parte da sua vida: regressar e partir, estar num lado e viver no outro, visitando permanentemente a pátria mesmo quando está longe dela. Isto permite-nos acompanhar o trajeto de um dos escritores portugueses mais singulares do nosso tempo. Acolhido com grande entusiasmo na Holanda entre leitores e críticos, premiado em Portugal, Tempo Contado - um fascinante diário escrito nos anos de 1994 e 1995 - matiza o relato factual com o estilo da melhor ficção do autor de "Ernestina" ou de "A Amante Holandesa".
Edição: Nov 2021
Nº Páginas: 112
Sinopse: Cinco retratos de cinco personagens que procuram enfrentar a sua memória e as suas descobertas. Os cinco protagonistas que encontramos nestas histórias têm de lidar com as consequências do que acontece quando o tempo não parece ter princípio nem fim, mas é como o curso de um rio que nos pode levar tanto à sua foz, como à sua nascente
Nº Páginas: 376
Sinopse:
Guatemala, 1954. O golpe militar encabeçado por Carlos Castillo Armas, e apoiado pelos Estados Unidos através da CIA, provoca a queda do governo reformista de Jacobo Árbenz. Por detrás desta ação violenta está uma mentira que passou por verdade e que mudou a história da América Latina: a acusação — por parte do governo de Eisenhower — de que Árbenz, um líder moderado, encorajava a entrada do comunismo soviético no país e no continente. Neste romance apaixonante, evocativo das suas melhores reconstituições de episódios da vida da América Latina e das suas singularidades, Mario Vargas Llosa funde a realidade com duas ficções: a do narrador que livremente recria personagens e situações; e a que foi desenhada por aqueles que quiseram controlar a política e a economia de um continente, manipulando a sua história, pondo e dispondo da vida de países que tentaram caminhos independentes.
Nº Páginas: 112
Sinopse:
"Sonhar com um destino é obedecer a um imperativo que, no nosso íntimo, fala uma língua estrangeira." Qual é a origem do desejo de viajar? Por que razão nos sentimos mais nómadas ou mais sedentários? Porque somos impelidos para o movimento constante, a deslocação, ou amamos o imobilismo e as raízes? Porque mantiveram alguns povos a sua marcha inexorável, pastoreando os seus rebanhos? E porque se dedicaram outros a um só lugar, onde cuidaram dos seus campos? A energia que anima estas formas de vida tão distintas, estes dois arquétipos, é a que anima o resto do universo, e que as combina obscuramente em cada um de nós.
Nº Páginas: 248
Sinopse:
Durante os tumultos da véspera da independência de Angola, uma mulher portuguesa, Ludovica Fernandes Mano - aterrorizada com os acontecimentos - decide proteger-se e isolar-se no seu apartamento. Ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobrevive a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Morre em Luanda, na Clínica Sagrada Esperança (curiosamente, o título de um livro de poemas de Agostinho Neto), na madrugada de 5 de outubro de 2010, contando oitenta e cinco anos. Durante esses trinta anos, Ludovica ("Ludo") escreve um diário, vários poemas e um vasto conjunto de reflexões sobre esse período - além de desenhos a carvão nas paredes do apartamento. Tudo registado em cadernos e papéis que Sabalu Estêvão Capitango ofereceu ao narrador deste livro.
Edição: Mar 2025
Nº Páginas: 232
Sinopse: A atriz travesti de grande notoriedade pela sua representação de A Voz Humana, de Jean Cocteau, tem um casamento aberto com um belo advogado homossexual. Juntos, adotaram uma criança seropositiva. Esta nova vida familiar aparentemente estável ¿ com dinheiro e conforto ¿ é uma cedência aos padrões burgueses e não podia estar mais nos antípodas da antiga existência dela: boémia, despreocupada e livre. O erotismo, a violência e a imensa ternura habitam os vínculos que unem o casal. Mas ambos vivem acabrunhados pela culpa e por outros infernos secretos. «Uma só travesti é suficiente para minar os alicerces de uma casa, desfazer os nós de um compromisso, romper uma promessa, renunciar a uma vida», pensa a atriz e protagonista deste romance. Tese Sobre uma Domesticação é uma história de pactos invisíveis e paixões arrasadoras, em que uma família se agarra a breves momentos de felicidade, sem se aperceber de que foi derrotada no seu desígnio, desde o início. Tal como o primeiro romance de Sosa Villada, As Malditas, já transformado numa série televisiva, também este Tese Sobre uma Domesticação foi recentemente adaptado ao cinema. «O livro sobre sexualidade mais importante que li, desde Jean Genet. Versa a amizade, o desejo e a violência. Desafia todos os atuais enquadramentos da política e da literatura. É um fragmento do futuro.» Édouard Louis «Camila Sosa Villada constrói uma linguagem que parece saída dos sonhos. Uma sensação literária.» Rolling Stone «Este romance desafia as ideias contemporâneas de género, sexualidade e amor.» The Wall Street Journal «Um mundo fantástico com partes iguais de violência e ternura. Questiona as ideias contemporâneas de género, sexualidade e amor.» Wall Street Journal
Nº Páginas: 80
Sinopse:
Neste poema autobiográfico (e de balanço de vida) escrito por altura do seu sexagésimo aniversário à maneira de um testamento, Vasco Graça Moura vai buscar inspiração à matriz de François Villon, poeta maldito da Idade Média francesa, mais concretamente ao seu poema "Le testament". Inicia-se este (de 1461) com a referência de Villon ao seu trigésimo aniversário ("en l’an de mon trentième âge"). Graça Moura replica-o (dobrando o número de anos) no primeiro verso deste livro, em que se lê "no ano em que sou duplo trintão". Estas baladas cantam os amores, trabalhos, filhos, amigos, inimigos, a cidade natal, o ofício literário, a paixão pela pintura e a sua natureza mais íntima. No ano em que se completam cinco anos desde a morte de Vasco Graça Moura, e no ano em que completaria 77 anos, a Quetzal recupera este extraordinário poema cheio de humor, autoironia e ternura.
Nº Páginas: 184
Sinopse:
Um jovem nigeriano que vive em Nova Iorque regressa a Lagos numa curta viagem e reencontra a sua cidade de origem familiar e estranha, ao mesmo tempo. Deambula em busca da observação da diversidade e intensidade da vida que nela vive. A América mudou-o de maneiras imprevisíveis. Ele encontrará velhos amigos, uma antiga namorada, demais família, enquanto penetra nas energias fervilhantes da vida em Lagos - criativa, malévola, ambígua - e se reconcilia com a cidade e com a verdade sobre si próprio.
Nº Páginas: 32
Sinopse:
Que comichão permanente é esta na cabeça de todos os escritores do mundo? Nenhum champô anti-piolhos consegue acalmá-la. Esse mal generalizado faz notícia nas primeiras páginas dos jornais e intriga os leitores deste e de todos os livros que existem. José Luís Peixoto regressa à literatura para os mais jovens com uma obra de divertido surrealismo, uma parábola moderna sobre o texto, a leitura, os livros - e aqueles que os escrevem.
Edição: Mai 2026
Nº Páginas: 360
Sinopse: Memória dos anos 60 e 70, do rock e da cultura pop, da paixão pela literatura e das mudanças sociais e culturais que nos fizeram ser quem somos. Filho único de uma cozinheira e de um operário, Geoff Dyer cresceu num mundo moldado pelo rasto da Grande Depressão e da II Guerra Mundial. E, depois de se ter dedicado a escrever sobre «os últimos dias» dos grandes criadores, decide visitar a sua própria memória. Para isso, recua à escola primária e às possibilidades transformadoras do ensino pré-universitário, antes de chegar a Oxford. Um dos felizes vencedores, Dyer atravessa as atribulações do desporto adolescente, concertos e rock em geral, acidentes românticos, cenas de pugilato e outras desventuras, a partir das quais desenvolve o seu amor pela literatura (além de pela cerveja e pelo rock progressivo). No limiar da universidade, Dyer começa a perceber o que pode e não pode mudar a sua vida. E escolhe mudar. Ao visitar as raízes dessa memória, acaba por fazer um retrato de conjunto da sociedade e da classe trabalhadora britânicas, a história dos anos 60 e 70 sem nunca perder o seu estilo cómico e erudito, profundo e vivo, colocando-nos questões sobre a alegria e a desilusão, a infância e a adolescência. Ou seja, mostrando como se começa a viver e como se podem aproveitar as grandes transformações do nosso mundo. «Dyer é aquele tipo raro de escritor criativo de não-ficção que consegue pegar em quase qualquer assunto (jazz, ioga, D.H. Lawrence) e torná-lo seu.» Booklist «O ecletismo de Geoff Dyer é para admirar. Os seus livros são reviravoltas de festa, cada um diferente do anterior, mas todos com a sua assinatura endiabrada.» Financial Times «Ler Dyer é semelhante à alegria e ao otimismo súbito que se sente quando se faz um novo amigo, alguém tão tonto como nós, mas mais inteligente, em cuja companhia se sabe que se vai viajar pela vida de forma mais livre, intensa e alegre.» The Daily Telegraph «Um tesouro nacional.» Zadie Smith «Dyer nunca deixa de surpreender, perturbar e encantar.» William Boyd
Nº Páginas: 424
Sinopse:
Um romance impressionante e oportuno Três Filhas de Eva, romance ambientado em Istambul e em Oxford, conta a história de Peri, uma mulher da classe alta turca que já ultrapassou a casa dos 40. O epicentro de todos os acontecimentos é um certo jantar que reúne gente poderosa e rica, numa noite em que vários atentados terroristas abalam a capital turca. Entre o normal decurso do jantar e o seu súbito desfecho (um contraste de dimensões cinematográficas), Peri precisa de contactar com alguém que conhecera e deixara para trás, em Oxford - tal como regressar às discussões que nessa altura mantinha com duas amigas (Shirin e Mona) sobre a dificuldade de ser mulher e muçulmana. O tempo avança e recua entre os anos 80 (os da infância de Peri) e os da primeira década do novo milénio (quando era estudante em Inglaterra). É neste ambiente de tensão que um certo segredo ameaça ser revelado.
Nº Páginas: 408
Sinopse:
"Tês Tristes Tigres" é um dos mais importantes romances da idade de ouro da literatura latino-americana. Fugindo à corrente do realismo mágico (e publicado no mesmo ano em que "Cem Anos de Solidão"), "Três Tristes Tigres" é uma narrativa polifónica, em que a experimentação da linguagem e dos seus limites serve o retrato uma Havana pré-revolucionária e uma espécie de diário íntimo dos seus principais narradores (e também objetos da narrativa): Códac, um fotógrafo; Eribó, um músico; Silvestre, um ator; e Bustrófedon, poeta morto que sobrevive através dos registos das suas experimentações linguísticas. As noites nos bares da noite havanesa e a música, o álcool, o sexo, a literatura, as drogas, as putas, os homossexuais e bissexuais são o cenário vivo das conversas, confissões, fantasias e desventuras destes jovens que, cativos de uma realidade medíocre e sem futuro, conseguem sobreviver graças às ideias, à amizade e ao humor.
Edição: Out 2025
Nº Páginas: 193
Sinopse: Um romance sobre a memória, a relação entre um pai e uma filha, o milagre da vida, uma capela no deserto de onde se vê o mar. Um homem à beira da morte compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola, junto a um enorme penhasco de onde se vê o Atlântico. Chama-se Leopoldo G. Borges, e é um geólogo e poeta conhecido e respeitado no seu país. Leopoldo decide transformar os últimos meses da sua vida numa escavação não de pedras, mas da própria alma. Durante o seu retiro no silêncio mineral do Namibe, escreve o seu diário, além de poemas, juntando reflexões, memórias, visões e presságios. No subsolo da capela em ruínas, Leopoldo descobre a réplica preservada desta, onde o tempo se dissolve e a morte parece esperar, paciente. Entre esses dois mundos, o poeta procura a filha desaparecida, Gaia, e a si próprio. Tudo Sobre Deus é uma história sobre a finitude, a memória, a culpa e a redenção; sobre o amor entre um pai e uma filha; sobre a arte de despedir-se e o milagre de permanecer. Um romance iluminado pela luz estonteante do deserto, onde, contaminada pela ficção, a realidade se torna fluída e inconfiável. «Um mestre contador de histórias.» Washington Review of Books «Agualusa é um angolano que vive em Moçambique, que foi colónia portuguesa. Escreve em português e o seu uso do realismo mágico evoca o Nobel José Saramago, outro autor que escreveu em português. O realismo mágico não é para todos o tempo todo uma dieta constante seria como ouvir fado 24 horas por dia , mas oferece a escritores e leitores a oportunidade de explorar as histórias que se desenrolam sob as suas vidas agitadas, ou as que poderiam ouvir, se as escutassem.» Washington Times
Nº Páginas: 448
Sinopse:
Começa nas Caraíbas dos tempos modernos, nos anos de 1940, em Port of Spain (cidade natal do autor) e acaba em África. Um Caminho no Mundo, obra de fôlego épico, compõe-se de nove narrativas interligadas, que atravessam séculos e oceanos e fazem o extraordinário retrato de indivíduos apanhados na correnteza da História: Walter Raleigh, por exemplo, e a sua amaldiçoada expedição ao Rio Orinoco, em busca do El Dorado; ou Francisco Miranda e a sua malograda invasão da América do Sul. Mas também de Colombo ou Simão Bolívar. Entretecendo personagens reais, reconstituições históricas de grande carga dramática e alguma ficção, Naipaul alcança com este livro - imensamente aclamado -- "um dos seus supremos triunfos". Uma viagem pelo mistério dos destinos humanos e uma observação de como a História molda a personalidade e esta molda a História.
Nº Páginas: 344
Sinopse:
Roy Othaniel Hamilton e Celestial Gloriana Davenport conheceram-se durante o tempo da faculdade e estão casados há pouco mais de um ano. Vivem em Atlanta. Roy é um homem afável, que aprecia regras e tem um bom emprego. Celestial, é bonita, cheia de carácter e uma artista promissora. Um dia, durante uma visita aos pais de Roy, na Luisiana, a porta do quarto de motel em que se tinham hospedado é arrombada e Roy é preso, acusado de violação. Mas está inocente. Celestial sabe-o e nós, os leitores, também. Roy é condenado a 12 anos de prisão. A segunda parte do livro é epistolar e como que um diálogo entre os dois, ele preso, ela em liberdade. À medida que os anos passam, os ressentimentos aumentam, assim como os silêncios e os intervalos das cartas. Cinco anos volvidos, Roy ganha um recurso e é libertado. Na terceira parte do livro (cheia de acontecimentos) veremos como tudo mudou e como o passado não pode ser desfeito.
