Edição: Abr 2026
Nº Páginas: 232
Sinopse: A memória como um território instável. A persistência dos laços quando já não há palavras que os possam descrever. Isabel, enfermeira, acompanha o declínio cognitivo da mãe enquanto é forçada a revisitar a sua própria história. A infância num bairro periférico, o trabalho precoce, a formação no hospital, o casamento falhado, a maternidade atravessada por tensões raciais e a figura ambígua de um pai ausente emergem como farrapos ainda vivos, nunca totalmente resolvidos. Cuidar torna-se um gesto ambivalente, simultaneamente técnico e afetivo, exercício de sobrevivência e de exaustão. A doença instala-se não apenas como condição clínica, mas como metáfora de uma herança coletiva feita de silêncios, violência normalizada e adaptação contínua. A memória materna que se desfaz convoca as estratégias de esquecimento que atravessaram gerações e um país, pondo em causa a ideia de progresso, de redenção e de linearidade do tempo.
O fim deixa de significar apenas perda e passa a ser também um lugar de revelação. «Uma escrita adjetivada, às vezes extravagante, mas que cativa e prende a cada página.» Isabel Teixeira da Mota, JN «Filipa Martins domina com eficácia e beleza a língua e o léxico.» Sara Figueiredo Costa, Time Out «Filipa Martins não facilita, nem a si nem aos outros.» João Villalobos, LER
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